domingo, 18 de maio de 2008

Juventude e Meio Ambiente - Conexões Possíveis

Por Diogo Damasceno Pires*


Muitos são os sonhos e desafios que permeiam o imaginário da juventude, ou melhor, das juventudes, já que estas são plurais e diversificadas, cada qual carregando consigo sonhos, anseios, aspirações, angústias e esperanças.

Ser jovem é ter vontade de fazer mais, é energia. É estado de espírito e respeito à diversidade, pois a juventude, na sua pluralidade, tem diversas tribos. Ser jovem é antes de tudo a tentativa de compreender o mundo a nossa volta. É nesta tentativa de compreensão do mundo que, surgem jovens mais preocupados com a vida do planeta e com disposição para transformá-lo.

Estas juventudes vivem atualmente num contexto muito interessante no Brasil, principalmente no que diz respeito ao seu envolvimento com as questões socioambientais. É fácil notar a questão temática ambiental como tema emergente, pois já que estas questões vêm sendo paulatinamente inseridas em todos os meios de comunicação, nos processos ambientes educativos e sociais e no seio familiar, em virtude das problemáticas ambientais vigentes.

Hoje em dia este debate ganha espaço nas discussões de diversos organismos da sociedade, com destaque especial para o envolvimento das juventudes organizadas. Na rua, na praça, na universidade ou em qualquer outro local ambiente de encontro destes atores sociais, é natural perceber o debate em torno das questões ambientais aflorarem, emergindo daí o sentimento de poder transformar ção da realidade, e partindo para outro estágio do envolvimento d@s jovens com esta temática e estabelecendo uma nova forma de agir e de organização social.

O modelo de organização social em rede foi à opção abraçada pela juventude ambientalista no Brasil, que, em virtude disso, passa a ter a oportunidade do diálogo, além do somatório de muitos sonhos e esperanças, convergentes e alimentados pelo sentimento de transformação das juventudes, guiadas pelos princípios do pertencimento, da horizontalidade e do empoderamento. Segundo Viezzer e Ovalles (1995: 102) “a rede é comparável a um tecido com múltiplos fios ligados entre si por nós que se assemelham para todos os lados, sem que nenhum deles seja central”.

É neste sentido que a construção do movimento de juventude pelo meio ambiente vem ocupando espaço, principalmente pela articulação nacional notória da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade - Rejuma, que tem como mola propulsora o diálogo aberto e o envolvimento de diversos movimentos e organizações de juventude espalhadas pelo país, com especial destaque a atuação dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente nos estados.

A Rejuma nasceu em setembro de 2003 durante o I Encontro da Juventude pelo Meio Ambiente em Luziânia (GO), no âmbito do processo de mobilização da I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, ação do Programa Vamos Cuidar do Brasil.

Atualmente, a Rede conta com mais de 400 membros de todas as Unidades Federativas do Brasil. E tem como objetivo fundamental: objetivo fomentar as ações locais e nacionais dos jovens empenhados na construção de sociedades sustentáveis. Buscando envolver, sensibilizar, fortalecer e instrumentalizar jovens, grupos, movimentos e organizações juvenis para a atuação participativa na construção de um Brasil mais sustentável.

O que nos reúne – o movimento de juventude pelo meio ambiente – em rede são as temáticas “Juventude” e “Meio Ambiente”, buscando promover a troca de idéias, realidades e experiências acerca das questões socioambientais, além de fortalecer a Rede como espaço de discussão e articulação em nível local, regional e nacional.

Devido a sua capilaridade, abrangência cultural, distribuição geográfica e sua origem, a Rejuma possui grande potencial na parceria com programas de governo de abrangência nacional como é o caso do Programa Vamos Cuidar do Brasil, “berço” da rede. Formando, assim, milhares de jovens, professores e escolas Brasil adentro para a Criação das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida), Agendas 21 nas Escolas e a realização dos processos da Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, que neste ano de 2008, parte para a sua 3ª edição.

As intervenções da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade no cenário nacional se dão principalmente por meio das seguintes estratégias:


  1. Fomento e apoio à criação de redes locais num processo de capilarização e empoderamento das juventudes para a ação socioambiental.

  2. Troca de Experiências e Parcerias.

  3. Encontros Nacionais da Rede.

  4. Representação em espaços de proposição, construção e gestão de políticas públicas.
A partir da atuação em rede, estas intervenções ampliam o sentimento de estarmos no caminho certo, possibilitando o re-conhecimento das juventudes como protagonistas de sua própria história e nas ações transformadoras em prol de um mundo melhor. Aumentando, portanto, a nossa responsabilidade, que como diz Sato (2006), por vezes a irreverência jovem e a responsabilidade adulta se apresentam separadas, mas juntas formam nossas opções e escolhas para melhor lidar com a vida.

Do ponto de vista político e sócio-econômico-cultural, os sentimentos que congregam esta nova juventude ambientalista, trazem animação e irreverência a diversidade, pluralidade e jeitos diferentes de ser de cada um; no entanto, é movida, sobretudo, pelo desejo compartilhado de tornar o mundo melhor de se viver, ambientalmente saudável, com sustentabilidade.

O desafio, portanto, é enorme, e é urgente consolidar o movimento de juventude pelo meio ambiente, fortalecendo o seu espírito revolucionário e transformador que ainda se encontra presente no imaginário juvenil, reforçando os princípios: “Jovem Educa Jovem” e “Jovem Mobiliza Jovem’, assim como também é necessário fortalecer o princípio de que” Uma Geração Aprende com a Outra” – somos todos aprendizes e em construção permanente, segundo nos aponta o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.

*Artigo disponível na segunda edicação da Revista "Agenda 21 e Juventude", públicada pelo Programa Agenda 21 do Ministério do Meio Ambiente.