segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Alternativas de dentro pra fora…

 

Era noite, quando o vento bateu a porta e num baque surdo a fechou de repente… um ar nauseabundo e pesado pairava no ambiente e era possível ouvir o assobio dos sopros de vento, meio baforados e rarefeitos que se acumulavam do lado de fora.

A casa era a mesma de sempre, na rua de paredes amareladas e bolor por onde quer que seguisse… avistando de longe a cidade que a acolhia. O portão era negro, para combinar com o ambiente, que também era breu entre sombras e sem esperança.

Dentro da casa, uma cadeira, uma mesa e uma vela, os óculos de leitura, o livro de cabeceira e só. Lá vivia um homem… embora o mesmo não parecesse real; mas lá estava o mesmo a contemplar a noite e a ler seu futuro, que em nada era promissor, disto ele sabia…

Sabia ele, que o mundo já se fora, que o sol já não existia, que vida era só rascunho… nada mais do que a ilusão, do cenário montado, das emoções em pílulas, dos sentimentos em combustão.

Lá fora, tudo isto e o tempo. Tudo passageiro, tudo apenas sopro… mas de dentro quem sabe, viva o homem a sonhar, para além das sombras e do vento, eis que o presente também pode ter seu lugar! Pois sempre é possível pensar/imaginar… sabendo, portanto, que ainda é possível criar…

Por Diogo Damasceno Pires, em 21 de fevereiro de 2012.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O outro eu

Seja o que for, cada vez mais, passo os dias pensando em como seria ter vivido outra vida que não a minha… e vez ou outra me coloco no papel desta outra pessoa que não fui para imaginar os acertos e erros que por ventura eu poderia ter cometido.

Isto se chamaria arrependimento daquilo que deixei de fazer? De realizar? Afinal, sou desses que nunca se arrependem de nada, mesmo por que, dos erros cometidos, sempre nos são oferecidos grandes aprendizados. A vida se faz aprendendo e vez ou outra ensinando…

Mas este, sou eu… e não aquele a quem me refiro, que poderia ter sido outro. Este outro, por sua vez, talvez fosse o mais sensato, aquele que compreenderia as nuances da vida e saberia voltar atrás, administrar a vida com mais parcimônia e equilíbrio.

Essa dualidade de personalidades, mexe com a minha mente, entre o que faço achando que é o certo e o que faço imaginando que possa estar errando… pois só o que sei é ser eu no momento, avaliando o que eu poderia ser e sendo, contemplando as possibilidades do que eu poderia vir a ser.

* Por Diogo Damasceno Pires

domingo, 1 de janeiro de 2012

Planos para 2012

Esse ano que se vá... com exceção dos amigos que ganhei, das conquistas que obtive, do reconhecimento profissional, da militância retomada, dos amores tórridos vividos e tudo o mais que me deixou feliz, espero que 2012 seja pelo menos o dobro do que isto, pois de alegrias previsíveis estou farto... cansei de sorrir a qualquer pessoa, cansei de lidar com os problemas cotidianos, cansei das tristezas da vida e dos desastres ambientais e emocionais.

Agradeço o que de bom deu certo em 2011, blá, blá, blá... mas continuo indignado com a maior parte das coisas... e portanto, termino o ano emburrado e de cara feia com as intempéries da vida e com gostinho de quero mais. Oh vida em 2012, a expectativa é tanta... portanto, me surpreenda!

O que quero para 2012:

1 - Fazer mais pelos meus amigos, me encontrar ainda mais com os mesmos, fortalecer os laços e nesta caminhada fazer novos e fazer dos meus amigos, amigos dos meus amigos. Nem todos se conhecem, mas o amor que sinto por todos é motivo suficiente para que eu os integre.

2 - Cuidar mais da minha família.

3 - Pagar minhas dívidas e sair do sufoco.

4 - Trabalhar menos em 2012 para ter tempo de ganhar dinheiro. Ninguém merece ter três empregos e vários bicos e ainda ficar atolado de dívidas.

5 - Ser mais compreensivo e menos agressivo em minhas atitudes junto aos colegas de trabalho, amigos e companheiros de militância. É um desafio, mas preciso da ajuda de vcs.

6 - Me dedicar ainda mais a Educação Ambiental este ano. Profissionalmente e na militância... no Coletivo Jovem de Meio Ambiente, na Rejuma, na Rebea, com o Tratado de EA, com a Rio+20 e com os eventos da área. Ufa, esse ano é O ANO, tamojuntoemisturado.

7 - Resolver a minha vida acadêmica. Tomar um rumo menos incerto e estudar o que não estudei em 2011.

8 - Quem sabe namorar de novo?! Deixar me envolver mais com as pessoas que passam na minha vida. De repente surge um relacionamento sério para planos futuros.

9 - Me especializar nas artes gráficas, para deixar de ser hobby e bico para ser mais uma atividade profissional mais formal daqui pra frente.

10 - Praticar algum tipo de exercício físico, afinal estou preocupado com a saúde, nem tanto com os quilinhos a mais... contudo, não custa cuidar um pouco de mim, neh?

11 - Terminar de pagar meu carro e dar entrada no apartamento.

12 - Cuidar das minhas cachorrinhas mais lindas do mundo com mais afinco: Nina e Lambuja, minhas cofapzinhas que tanto amo. De repente ter um novo filhote ao lar.

(...)... continua em 2012...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Como sou ou deixo de ser...

Vou superar! De repente fazer diferente... tudo mais uma vez, novamente! Contudo, apenas o que sei é que cada vez mais deixo de entender o mundo e o que ele quer dizer...

Quem sou, se não aquele que sempre se coloca, mesmo quando não é conveniente? Sou de fato um pouco do que dizem, embora não completamente.

As vezes inconsequente, as vezes ausente, nem sempre atraente, mas sempre embargado, compenetrado, saudoso de sentimentos.

Quem dera o coração, mandar mais do que a mente? Sei que mente, pois a vida é sempre uma ilusão, mas afinal quando chegamos a este ponto, deixamos de ser o que queremos para ser o que querem de nós.

Por fim, não sei se entende... mas volto-me para o centro de mim, para o oco do meu ser, para exatamente saber, se continuo a sonhar ou deixo de ser?

Por Diogo Damasceno Pires em 1º de dezembro de 2011.

sábado, 1 de outubro de 2011

O CÉU E O INFERNO DENTRO DE NÓS



Outra noite qualquer, foi de barriga cheia que saí da Igreja na cidade vizinha para ir ter com amigos para a esbornia noturna. Um pouco mais cedo lá estava eu cercado de frades e relembrando minha infância de coroinha e da saudade que aquele tempo me dava, junto com o amigo (praticamente irmão), que também relembrava momentos felizes em que quase prestou seus votos para uma vida reclusa e de possível santidade.

Barriga cheia, pé na areia! Foi assim, que dei o start de que estávamos atrasados para encontrar as nossas auspiciosas companhias, que nos aguardam para o festim de luxuria que só a noite poderia nos ofertar. E foi entre marcadores de velocidade e pista sem desvio que chegamos a Capital para encontrar os amigos e ir ter com eles em outro lugar.

Primeiro, encontramos o de largo sorriso e excelente fotogenia e entre breves comprimentos de lábios molhados, buscamos o outro, de olhos de luz e pele alva, para adentramos o inferninho dos deuses gregos.

O inferno é mesmo na terra dirão alguns, mas creio que disputa mano a mano com o paraíso, ou de repente é a mistura de ambos que fazem do pecado, algo tão atrativo e inebriante.

Em meio aos raios multicoloridos do Globo de Luz, das batidas áudio-energizantes e de duas doses de Tequila com sal e limão, tudo que era cinza e sem sabor, passou a ser saboroso e cheio de tons, que nem a nostalgia do amor platônico que me guiava, me segurou.

Deveras eu poderia me comportar, mas nasci para o amor irrestrito da coletividade, disto estou certo e amar uns aos outros foi o que o Pai nos ensinou e de livre arbítrio vive o homem, que apenas quem vive de verdade, sabe definir dentro de si o céu e o inferno que o habita.

De modo a ser, que eu só possa concluir que, cada um de nós trás consigo, os sentimentos de uma vida que se entrega aos prazeres de ser exatamente quem você pretende ser; e quase sempre este é o seu Céu. Visto que pecado maior é planejar ser outro que não você mesmo.

Por Diogo Damasceno Pires em 1º de Outubro de 2011.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NOITE ADOLESCENTE


Dizem alguns que a noite é uma criança, mas para mim ela está sempre na adolescência, de uma energia que extravasa, transborda e ilumina a nossa essência.

Pois, que imagino a noite ao cair à penumbra e quando as sombras começam a me acompanhar em passos trôpegos e desajeitados, seguindo os meus em dança que contagia, pulando de calçada em calçada, me equilibrando no meio-fio a plena luz da Lua.

É assim, que a noite cai e se fecha em lótus, macia e perfumada para brindar o céu negro de brilho estelar, para homenagear os sentimentos de menino que tenho guardado e que nem sempre tive oportunidade de demonstrar, mas com o cheiro da flor me entrego às surpresas da noite, que inebria e consola os sonhos que tenho por ti.

Sigo o caminho pensando em você! Sem ao menos saber dizer em que mundo você se encontra; talvez você esteja na próxima esquina, ou me esperando no próximo bar. Mas para a noite que só começou, espero que esteja lá onde lhe espero e posso encontrá-lo, ao invés de em um lugar qualquer, aonde não mais possa achá-lo.

Para alguém que acabei de conhecer, rs.
Por Diogo Damasceno Pires em 28 de setembro de 2011.